segunda, 25 de outubro de 2021

Errar é humano, persistir...Loucura ou método?

05 SET 2021 - 20h06Por ARMANDO ARRUDA LACERDA

São quase quarenta anos consumindo verbas, pesquisando, monopolizando de todas as formas e meios sinalizações de virtude e arrogantemente tentando impor uma nova cultura, que veio para salvar o Pantanal.

Salvar o que já estava salvo, funcionando com a simbiose entre atividade econômica e natureza, adaptação sustentável desenvolvida ao longo de séculos...

Se já estava salvo, a nova cultura só poderia impor a   perdição e o caos!

Não reconhecer a cultura pantaneira e impor uma revolucionária e importada Nova Ordem, através da destruição e do caos, é um erro crasso a exigir mudança imediata de rumos! O Pantanal não impõe, só expõe.

Não adiantou Zelito Dorileo informar que a retirada do gado e a destruição da infraestrutura das fazendas de gado e a construção de uma nova superestrutura de Reserva Ambiental, por mais recursos financeiros e humanos que envolvessem não criariam um Pantanal melhor!

Tampouco Mestre Pott, que estava há anos estudando com a humildade que só o verdadeiro saber científico impõe, os segredos da fitofisionomia do Pantanal.

Ao ver o projeto que tirava o gado, com a expectativa de voltar a floresta, mesmo diante de concupiscente proposta decretou cientificamente: "-Esse projeto não vai criar uma edênica floresta e sim um formidável incêndio."

Nada deteria a premissa defendida por muitos até hoje, de que para criar gado precisava pôr fogo, retirado o gado, viriam florestas e animais...

Agora, com os incêndios previstos e recorrentes, a culpa segue sendo debitadas às vítimas desta nova Ilha Camargo, que toma diariamente um verde e midiático banho de boas intenções e virtudes.

O Pantanal só poderia ser uma sucursal do Paraíso, porque a pecuária tradicional propicia o compartilhamento gracioso com os animais silvestres, nas enchentes e nas secas, a água e os também imprescindíveis pastos palatáveis e sal, sal mineral!

Fazem parte natural e corriqueira das atividades das fazendas, e jamais foi ou será monetizada para angariar, com falácias de heroísmo e vitimismo, o suprimento dessas necessidades básicas da vida!

Acúmulo de massa vegetal pelo excesso de pasto incomível, aumento de todo tipo de vegetações invasoras, falta de água, falta de sal e outros minerais recriando barreiros, tudo isso saltaria aos olhos de qualquer pessoa que desse mínima trela ao óbvio.

Deve ser um anátema, punível com patrulhamento e corte das imprescindíveis verbas de pesquisas qualquer fugaz menção à profunda simbiose de animais silvestres do Pantanal com a criação de gado.

Com sofisticados drinks nas mordomias de beira de piscina, apreciando um bom churrasco, riem do boi bombeiro e das ignorâncias dos pantaneiros, enquanto confabulam novos meios de esconder a verdade exposta, todos os anos, no clarão dos incêndios e da fumaça...

Apesar de que, finalmente, alguns bombeiros profissionais já começam a entender o fogo subterrâneo e outras idiossincrasias que fazem com que o fogo amigo do Pantanal vire o traiçoeiro e inapagável incêndio.

Errar é humano...Persistir no erro é loucura ou método! A cultura pantaneira e os pantaneiros continuarão a expor, sem impor suas verdades, rogando para que se reconheça a árvore da Virtude pelos seus frutos!

(*) Pantaneiro do Porto São Pedro, Corumbá MS

 

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