quinta, 15 de abril de 2021

“Temos o melhor turismo e ações pontuais, mas precisamos da vacina para recuperar em 2021”

23 NOV 2020 - 06h01Por SÍLVIO DE ANDRADE

O diretor-presidente da Fundtur-MS (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul), Bruno Wendling, está otimista com a recuperação a médio prazo do setor, após a suspensão das atividades por sete meses devido à pandemia do coronavírus. Porém, é claro: se a população for vacinada, o turismo volta à normalidade em 2021, do contrário, somente daqui a dois anos.

Também presidente do Fornatur (Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo), o turismólogo afirma, nesta entrevista ao LUGARES, que em nenhum momento o Governo do Estado afrouxou suas ações de apoio e fomento ao turismo, nesse período de crise na saúde pública. Recursos foram liberados e campanhas na mídia promovem o Estado.

“Bonito nos surpreendeu, com um movimento que se assemelha aos últimos anos de crescimento e até de recorde de público”, observou. “O Pantanal também retomou e está em um bom momento. Quanto a Campo Grande, é uma situação atípica, os negócios e eventos estão demorando, vai retardar para retornar”.

1. Quais as experiências acumuladas durante a pandemia para dar sustentabilidade ao turismo de MS?

Bruno Wendling – “Cito várias, a primeira foi a readaptação, a capacidade de mudar de direção muito rápida com a chegada da pandemia, um susto inicial. Um aprendizado, sem dúvidas. Tivemos que assimilar tudo que estava ocorrendo e procurar escutar mais, cada vez mais, e trabalhar de forma integrada para definir qual direção tomar. Um período onde o nosso Conselho Estadual de Turismo foi muito ativo, muitas reuniões, houve muita articulação, aprendemos também a nos articular cada mais. Seja com o trade, com o Ministério do Turismo, com os agentes financeiros, com o Procon, e pensar formas estratégicas e rápidas para minimizar os estragos que a pandemia fez ao setor e definir um plano de retomada.”

2. Que ações você apontaria como vitais para garantir a sobrevivência do setor no período mais crítico?

“Trabalhamos desde o início da pandemia, como presidente do Fornatur (Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo) e da Fundtur-MS no pedido de descentralização de recursos financeiros aos estados, para que eles pudessem realizar ações importantes de promoção e apoio à comercialização na retomada da atividades, mas a liberação desses recursos não aconteceram a contento ainda. O crédito não chegou ao Estado, por mais que tenha viabilizado algumas regiões, e em alguns destinos a receita é zero. É preciso uma ação emergencial para que esse crédito realmente viabilize e fomente o turismo nesse retorno. Em contrapartida, o Governo do Estado tem dado total apoio ao setor, destinando recursos para dar suporte aos destinos, além de ações de eventos geradores de fluxo, capacitação, apoio à promoção e pesquisa, e apoio ao Sebrae e Sesi na elaboração dos protocolos de biossegurança e higienização.”

3. O retorno das atividades tem atingido a expectativa, aquecendo a economia dos polos atrativos?

“Acho que sim. Bonito, por exemplo, nos surpreendeu, com um movimento que se assemelha aos últimos anos de crescimento e até de recorde de público. O lado negativo é questão das aglomerações, o que já era esperado. As medidas adotadas pela prefeitura, com o apoio do trade e do Ministério Público, de reeditar o toque de recolher e proibir aglomerações, são pertinentes. Não tem que fechar nada, é preciso mais consciência da população e dos turistas. Não tem sentido gente se reunindo nas ruas. Em relação ao Pantanal, também retomou e está em um bom momento, estamos monitorando esses destinos e o retorno foi acima do esperado. Quanto a Campo Grande é uma situação atípica, os negócios e eventos estão demorando, vai retardar para retornar. Somos um estado privilegiado em natureza e o lazer está em alta, as pessoas estão com mais medo, mais cansadas de ficar em casa, e buscam esses espaços abertos onde se sentem tranquilas e com segurança.”

4. Quais os próximos passos da Fundação para promover o nosso turismo em sua retomada definitiva?

“Já lançamos nacionalmente em setembro uma campanha (“Vem, Mas Vem de Máscara”) de promoção da retomada do turismo, mas com um viés também educativo diante da necessidade de utilizar protocolos de biossegurança durante a pandemia do coronavírus. Essa campanha lançada durante a ABAV Collab (Feira Virtual de Turismo) e ficará na mídia até o fim do ano, com o Governo do Estado entendendo que é preciso reforçar nossos destinos. Como parte das estratégias desse retorno, estamos preparando mais duas campanhas, em fase de produção, uma direcionada ao público sul-mato-grossenses, a ser lançada em dezembro. A outra, para o primeiro trimestre de 2021, é uma campanha nacional e vai substituir o “VisitMS – Você no seu melhor estado”. Além disso, lançamos editais para direcionar recursos financeiros em apoio a promoções dos destinos, com cerca de R$ 600 mil para Bonito, Pantanal, Campo Grande e a região Norte. Além de recursos para eventos geradores de fluxo turístico, priorizando também o turismo de esporte e aventura, que são realizados em espaços abertos e atendem a demanda.”

5. O cenário de 2021 é de recuperação? O que o setor vislumbra para o pós-pandemia?

“Há dois meses eu diria que seria menos do que esperamos agora. A recuperação está atrelada a vacina. Se resolvermos o problema da vacina até o primeiro semestre do ano que vem, as pessoas forem imunizadas, principalmente os grupos de risco, creio que o turismo voltará à normalidade. Caso contrário, vamos ter que aguardar para saber como será o controle, com retomada efetiva do turismo somente em 2022, mesmo com os bons índices de agora que se comparam a 2018 e 2019, com 2021 sendo um ano de recuperação de tudo que se perdeu. Uma coisa que contribuiria e muito seria a conscientização das pessoas, temos um turismo diferencial, de natureza, bons passeios para pequenos grupos, mas é importante a população entender o momento que vivemos e evitar aglomerações. A questão são as ruas, a fiscalização tem que ser muito forte, está chegando o Réveillon, Bonito já decretou o toque de recolher. Não podemos nos retroceder em nenhum momento.”

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