segunda, 17 de junho de 2019
VIAGEM

A história que o Alentejo conta através de joias da região

10 ABR 2019 - 14h50Por REDAÇÃO

Portugal tem sido um dos destinos mais procurados por brasileiros, afinal, há um conjunto de atrativos no país que saltam aos olhos: o mesmo idioma, o clima favorável, a boa comida, os vinhos e a autenticidade.  Passear por Portugal é viajar no tempo e existe uma região especifica que reúne todos esses elementos: o Alentejo.
 
Como seu próprio nome diz, essa região ao Sul de Portugal está situada além do rio Tejo e esconde, em meio as suas paisagens deslumbrantes, joias ricas em história. É o caso de Monsaraz. Já ouviu falar? Essa vila medieval amuralhada é uma das mais bonitas do país e já foi ocupada por romanos, visigodos e muçulmanos. Erguido sobre o monte, o castelo é um must go por conta da bela vista e de sua mistura de elementos medievais e seiscentistas. 
 
Imersão Cultural

É por conta dessa autenticidade que “onde ficar?” torna-se uma pergunta fundamental para uma experiência completa na região. Aos pés de Monsaraz, em uma propriedade de 780 hectares, está o São Lourenço do Barrocal, um hotel que representa bem a história local. Antigamente, essas terras – que pertencem a mesma família há mais de 200 anos – eram ocupadas por uma comunidade agrícola de cerca de 50 famílias. Com o passar dos anos e das interferências políticas em Portugal, a comunidade se dissipou e muito de sua construção original se perdeu.
 
Foi na década de 90, que o administrador e empresário, José Uva, pertencente a oitava geração da família, conseguiu recuperar a propriedade que estava ocupada e decidiu transformá-la em um hotel cinco estrelas, mas sem perder sua essência. Por isso, contratou historiadores, antropólogos, paisagistas para pesquisar e reproduzir a arquitetura e o estilo de vida da propriedade há anos atrás.  
 
Em meio as pesquisas, um recorte de jornal de 1927 foi fundamental para o processo de reconstrução – já que nele havia um depoimento de um membro de família contando com detalhes como era a antiga comunidade. Caixas de documentos e fotos também foram peças-chaves e, inclusive hoje, quem visita o hotel encontra todo esse arsenal nas paredes, na zona do bar, nos quartos e principalmente no restaurante decorado com fotos antigas em preto e branco, chapéus, alfinetes e outros objetos pertencentes a família. 

Receita antiga
 
Quem assumiu a responsabilidade do projeto arquitetônico do hotel foi o premiado português Eduardo Souto de Moura. Os detalhes impressionam: todos os materiais usados na reconstrução foram os mesmos de origem e a decoração dos ambientes pelo estúdio português AnahoryAlmeid, é toda feita com artigos produzidos por artesãos locais e peças antigas recuperadas da fazenda. O piso dos quartos e SPA por exemplo, é de cerâmica que vem da aldeia vizinha de São Pedro do Corval, tendo sido toda produzida manualmente e cozida em forno a lenha.
 
Para resgatar a essência da propriedade, a agricultura também precisava fazer parte do processo. Os vinhos produzidos hoje – comercializados apenas em Portugal – são feitos utilizando as mesmas técnicas de antigamente, a horta fica bem perto do antigo sistema de irrigação que inclui um aqueduto do séc. XIX, ainda visível. Hoje, todos os ingredientes produzidos por lá e no restante da fazenda, como as carnes, são utilizados nos restaurantes do hotel. 
 

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