sexta, 22 de fevereiro de 2019

Trabalhando como voluntário no Marrocos

10 AGO 2017 - 09h30Por Beneth S. Torquato

Já pensou em visitar o Marrocos?

Passei dois meses no país, sendo metade desse tempo trabalhando em um hostel de Marrakech.

Ao chegar, o choque cultural foi gigante, e tive que me acostumar e aprender a viver em um lugar totalmente exótico e misterioso.
Quer saber como foi essa experiência?

Vem comigo que eu vou te contar tudo sobre o dia a dia desse povo fantástico!

Trabalhando em Marrakech

Com cidades impressionantes, uma cultura incrível e gastronomia interessante, o Marrocos está se tornando uma potência em turismo. Além de ser de fácil acesso devido a sua localização, viajar pelo país pode ser extremamente barato.

Fui para o país justamente para fugir do alto custo de ficar na Europa, e pra melhorar, consegui uma vaga de recepcionista e produtor de conteúdo num hostel.
Pra vocês terem uma ideia da diferença de custo, segue um rápido comparativo (valores de 2016):

País Diária Hostel Refeição
Espanha R$60,00 R$38,00
Marrocos R$20,00 R$15,00

Se considerar-mos duas refeições diárias, da uma diferença de R$63,00 por dia. Bastante né?

Eu trabalhei no Purple Camel Hostel, um hostel bacana, gerenciado por Houssain, um cara extremamente mal organizado. Pra ter uma ideia, estava eu e outra voluntária trabalhando no hostel, mas isso porque ele fez confusão com as datas. Não era pra ser os dois juntos. Ele chegou a perguntar se eu poderia voltar duas semanas mais tarde!

O hostel fechou poucas semanas depois que saí de lá.

O dono do Purple Camel era o primo desse cara, e tinha outros dois negócios, uma agência de turismo e um Riad (tipo de hospedagem muito comum no país). Esse por sua vez, era super gente fina e flexível. Me ajudou bastante durante minha estadia.

Minha função no hostel

Fui chamado para trabalhar como produtor de conteúdo, ou seja, eles me mandavam nos tours pelo país, eu tirava fotos e gravava videos para que eles usassem como publicidade. Em troca disso eu ganhava café da manhã, almoço e hospedagem.

A pedidos do Houssain, acabei também ajudando na recepção, limpeza e organização do local.

Participando dos tours, economizei mais ainda em minha estadia no Marrocos, e dessa maneira, pude conhecer boa parte do país. O tour mais marcante foi para o Sahara, no qual acampei no meio do deserto! 

Trabalhar em hostel

Antes de começar meu mochilão eu já pensava em trabalhar em hostels, para economizar e poder viajar por mais tempo. Mas descobri nisso um novo hobby.
Trabalhando em hostels, além de ajudar nos custos da viagem, temos a oportunidade de conhecer pessoas do mundo todo, todo dia. É como viajar sem sair de casa.

Essa em Marrakech foi a 4ª vez que trabalhei como voluntário em hostels, sendo três delas experiências excelentes, e uma horrível. Na Itália trabalhei num hostel onde a dona era totalmente irresponsável e mal caráter.

A primeira e segunda vez, foram em Montenegro, meu país preferido na Europa.

O dia a dia em Marrakech

Quando trabalhamos durante a viagem, seja em hostel, fazenda ou qualquer outra coisa, temos a oportunidade de realmente conhecer a cultura do país, participando do dia a dia das pessoas.

Como comentei antes, o turismo no Marrocos está crescendo de maneira exponencial, e o centro disso tudo é Marrakech. Segunda cidade mais populosa do país, é também a mais famosa e concentra a grande maioria dos turistas. Isso faz com que as atividades econômicas comecem a girar em torno disso.

Na Old Medina, ou parte antiga da cidade, é onde tudo acontece, e é bem ali no meio dessa muvuca, que o Purple Camel Hostel ficava.

Marrakech é sem dúvida a cidade mais agitada que conheci em meus dois meses no Marrocos. É uma verdadeira loucura! A quantidade de vendedores de rua é inacreditável, e os caras são MUITO chatos. Te seguem até o infinito se você responder qualquer coisa, mesmo se for um não.

Mas também não os culpo, o país é cheio de imigrantes e refugiados, que buscam no turismo uma vida melhor. São pessoas que dependem disso para sobreviver e sustentar a família.

O mais impressionante, é que esses vendedores de rua chegam a falar até 5 línguas! Árabe, Francês, Inglês, Espanhol, Italiano e até Português algumas vezes. E não pensem que eles se formaram em cada uma dessas línguas, aprenderam em casa mesmo, pra conseguir se comunicar com os turistas.

Isso no mínimo provoca uma reflexão né? Esse pessoal, sem dinheiro e acesso a cursos, falam de 4 a 6 línguas. E muita gente por ai que mal fala o Português direito.

O valor da comida

Num país em que as pessoas já passaram muita fome, a comida é valorizada da maneira que deve ser. Nada é jogado fora, e um exemplo disso são as famosas cabeças de cabra, prato comum consumido diariamente pelos marroquinos.

Chá de menta

É impossível falar do dia a dia dos marroquinos sem falar no clássico mint tea. Eles tomam o chá de menta tanto quanto toma-se café no Brasil. Tomam quando acorda, antes do café da manhã, durante o café da manhã, depois do café da manhã, antes do almoço, e assim vai. O dia inteiro.

Passar esse tempo todo no Marrocos me mostrou um estilo diferente e simples de viver. As pessoas são humildes, gentis e muito felizes.

Em Marrakech não muito, mas de forma geral, o turista é muito bem recebido. Eles se sentem no dever de serem bons anfitriões e se sentem felizes em ajudar.
Em certa ocasião recebi o convite para almoçar na casa de um jovem, o qual nunca havia visto antes. O convite foi para um tradicional couscous, servido toda quinta-feira. É uma tradição do país, assim como o churrasco de domingo para os brasileiros.

Isso quebra todos os pré conceitos sobre o país, que muitas vezes é visto como perigoso.

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(Texto publicado no site www.mochileiros.com)

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