quinta, 17 de janeiro de 2019

Em Santiago do Chile, depois de uma semana na estrada (parte II)

12 JAN 2019 - 11h26Por DORI E ADRIANA

Dorianey (49) e Adriana Peres (48), que saíram de Campo Grande no dia 5 de janeiro para explorar regiões fantásticas na travessia do Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai, pilotando uma moto por 12 mil km em 28 dias, completaram nesta sexta-feira uma semana na estrada. O casal está em Santiago do Chile, onde chegou no final do dia de quinta-feira.

Sem a rebeldia daqueles jovens e suas Harley Davidson dos anos 60/80, Dorianey, o Dori, engenheiro civil radicado em Campo Grande, pilota uma Big Trail (BMW), R 1200 GS Adventure, com a qual está a caminho de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, ao lado da esposa. A viagem, além da paixão sobre duas rodas, tem uma celebração especial: os 25 anos de casamento.

Dori, engenheiro civil, é natural de Natal (RN), Adriana, nasceu na cidade pantaneira de Ladário (MS). Com os dois filhos já adolescentes, os motociclistas caíram na estrada há pelo menos cinco anos, pelos confins do Brasil – Capitólio, Furnas (MG), Serra Rastro da Serpente (SP), Serra da Graciosa (PR), Serra do Rio do Rastro, Urubici, Morro da Igreja, Pedra Furada e Serra do Corvo (SC). Também incluíram na lista de lugares fora de série a travessia extasiante do Pantanal pela BR-262, até Corumbá, onde moraram.

Expedição de 2018 passou por Machu Picchu

No ano passado, percorreram a América do Sul, ao lado de um casal amigo, passando pelo Paraguai, Argentina (Cordilheira dos Andes), Chile (Deserto do Atacama), Peru (Machu Picchu) e Bolívia (Salar de Uyuni e Águas Calientes, em Roboré). Agora, eles estão sozinhos, rumo à Ushuaia, numa viagem de 28 dias e 12 mil km.

A viagem segue dentro da normalidade, conforme seus relatos no Instagram. Os amigos querem todos os detalhes, inclusive sobre o comportamento da moto e dos pneus novos.

Segundo Dori, os pneus surpreenderam logo no início: “muito suave, quase sem barulho, nem parece ser misto. Bom grip, principalmente na chuva, o que me deixou bem confortável e confiante. Sinceramente, não esperava esse desempenho, pois usei muito o K60 ou Anakee III.”

Nas cordilheiras, atravessando o “Paso de Los Libertadores”, fronteira Argentina-Chile, pegaram quatro graus de temperatura. Com o gelo formando o guard-rail da estrada. “Foi punk!”, expressou-se Dori.

A convite de Lugares, Dori e Adriana vão narrar a nova aventura, por capítulos, em postagens no site. Acompanhem o Diário de Bordo nº 02:

Provando um Malbec

Uspallata, nas Cordilheiras

Partimos assim de Córdoba, deixando sua arquitetura peculiar, seus traços históricos espanhóis, a bela Catedral e sua praça iluminada e alegre... afinal, a viajem tem que continuar e está apenas no começo.

Partimos em direção à Mendoza, e mais 630km de rutas argentinas, que historicamente são caracterizadas por intermináveis retas. Segundo a lenda, chega a deixar os pneus quadrados rsrs. Porém, a grata surpresa do caminho foi encontrarmos uma sequência de várias curvas, subidas e descidas. Uma bela surpresa... A rodagem fica mais interessante, e o pneu agradece por podermos 'arredondar' a borda da banda de rodagem.

Adriana, em Córdoba, Argentina

Nossa expectativa ficava agora por conta de conhecer a cidade e seus reconhecidos vinhos. Ali ficaremos mais um dia para darmos o tempo de descanso necessário. Para conhecer a cidade pegamos um city tour. Dessa forma podíamos aproveitar bem as paisagens, os principais lugares e, quem sabe, almoçar provando um Malbec (vinho predileto dos brasileiros).

Mendoza é uma cidade muito arborizada. As ruas têm muita sombra, e muito movimento... nos horários de comércio, que é das 9h às 13h, retornando às 17h e adentrando a noite. Nesse intervalo de tempo, dá-se a siesta. A siesta se estende de aproximadamente uma e meia da tarde até quatro e meia ou cinco, todos os dias. 

As empresas no centro da cidade permanecem fechadas durante este período, reabrindo por volta das cinco horas. A maioria dos restaurantes não fecha durante a sesta, e muitas vinícolas permanecem abertas durante esse período. 

Após esse tempo de descanso, partimos para Santiago - Chile.

Sigamos com Deus!

Curvas, gelo e aduana

Em Santiago: arquitetura moderna

Dia de deixar a Argentina e adentrar ao Chile. Então partimos de Mendoza, logo cedo, com frio e chuvisco, rumo à Santiago do Chile. Isso mesmo, o tempo virou bruscamente durante a noite.

Teríamos um dia longo, apesar da pouca distância a percorrer, apenas 410km. Mas, teríamos à frente chuva, frio, curvas em pista molhada com pneus mistos, a cordilheira, com seus 3.300 metros de altitude (até onde pude checar no gps), uma aduana e seus trâmites.Sempre lembrando que o fronteiriço chileno é um dos mais exigente e rigoroso dentre os países da América do Sul. Seria um dia de muita emoção.

Partimos em direção à Uspallata, subindo a uma temperatura de 4°C, e a pista, em curvas sempre, já apresentava vestígios de gelo onde a água ficava represada pelas depressões da pista... Fomos aumentando a vigilância e redobrando a atenção. 

Chegando a Uspallata. O céu abriu e o sol começou a reinar exuberante, denotando que teríamos pista seca e mais segura.

Viagem entre Mendoza e Santiago do Chile

Chegamos, enfim, a aduana chilena, Paso Los Libertadores. Na hora da vistoria tinha até cão farejador a fiscalizar os carros. Passamos, enfim! Fizemos o câmbio da moeda, e começamos a descer a Cordilheira... E lá, as curvas, agora com sol e neve no pico das montanhas.

Chegamos a Santiago na quinta-feira (10/1). Uma bela cidade. Diferente das anteriores, moderna. Na entrada um enorme prédio em pele de vidro, imponente! Nos impressionou muito. População vibrante, com seus jeitos particulares, coloridos, alegres, estilosos (são criativos em suas vestimentas), skates na rua, muita bicicleta (o que é excelente), enfim... surpreendente. 

Na sexta-feira (11/1), fizemos um tour pela cidade, conhecendo a história desse lugar fantástico. Partimos nesse sábado para Bariloche, com uma parada para dormir em Los Angeles, ainda no Chile.

Até mais...!

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