segunda, 16 de setembro de 2019
DIARIO DE BORDO VI

Dori e Adriana retornam da aventura até Ushuaia. Foram 12.380 km em 27 dias

02 FEV 2019 - 06h36Por SILVIO ANDRADE

Relatos emocionantes no final da jornada de Dorianey (Dori), 49, e Adriana, 48, casal de motociclistas que saiu de Campo Grande no dia 5 de janeiro e entou no Paraguai, Argentina e Chile para chegar a El Fin del Mundo – Ushuaia! Extremo dos extremos. Uma aventura e tanto, por  caminhos difíceis, gelo e ventos da Patagônia, paisagens encantadoras e muita solidariedade dos hermanos.

Foram 12.380 quilômetros sobre duas rodas – uma Big Trail (BMW), R 1200 GS Adventure -, em 27 dias longe de casa, dos filhos e amigos. O casal realizou um grande sonho – o de ir tão longe, por lugares tão diferentes e desafiantes. Eles são apaixonados pela estrada e viagem juntos há cinco anos, inicialmente praticando por roteiros pelo interior do Brasil.

“Conhecer lugares que jamais imaginávamos? Sim, pode tentar se preparar, mas será inevitável a surpresa. Abra seu coração e sua mente, e sinta o quanto o mundo de nosso Deus é maravilhoso!”, narra Dori, engenheiro, em seu diário de bordo, que LUGARES publica aqui e, desde já, reservando o espaço para a próxima aventura.

Conta aí o final da viagem, Dori!

Se despedindo de Buenos Aires

Enfim, Buenos Aires!

Após saída de Ushuaia, passamos pela cidades de Río Gallegos, Caleta Olívia, Puerto Madryn e Bahía Blanca, para então chegar à capital argentina, a Capital do Tango!

Deixamos a região da Patagônia, e o frio. Sim, o frio ficou para trás, e chegamos em Buenos Aires com aproximados 40°. Isso mesmo, muito calor, e era final do dia, hein...

A cidade é realmente bonita! Nos pareceu um pouco com o Rio de Janeiro em sua arquitetura de época nos prédios do centro antigo. Aqui se mistura o antigo, prédios muito bem conservados e mantidos, com as largas ruas principais, que ligam às autopistas, bem como com as 'ruelas' na parte comercial em seus 'calçamentos' bem alinhados, limpos, espaçosos aos pedestres.

Mesmo no domingo o movimento era intenso. Vários grupos familiares, jovens em suas vestimentas alternativas, turistas de várias nacionalidades...Mas algo nos chama a atenção! O número de turistas brasileiros nos surpreendeu. Em cada esquina ouvíamos o nosso belo português. Em número talvez maior encontramos os turistas argentinos. Isso mesmo, argentinos conhecendo a Argentina. Bacana, não é!

Uma noite de tango muy caliente

Bem, estar no Vaticano e não ver o Papa, é quase a mesma coisa de estar em Buenos Aires e não ver o tango. Então... Vamos lá! Por indicação do amigo Dilter fomos a umas das inúmeras casas de tango existentes por aqui. Madero Tango. Lá se ve o show e se janta ao mesmo momento. O convite já incluí tudo, também o transfer! Muito bom.

E o show... ah! um show! Tudo é história. Há uma razão para a dança. Uma história, parceria, cumplicidade, sensibilidade, sutileza, e beleza! Não tem como não se sentir envolvido pelo clima... e até emocionado. Valeu muito a pena visitar a Argentina. 

E agora... Agora, voltar para nossa amada terra! A saudade já bate forte. 

Amanhã (29/01), partimos para casa. Nossa linda e amada casa. Que Deus nos acompanhe 

Brasil, terra amada

É sempre bom ir ao longe... Mas é ainda melhor voltar!

E assim chegou ao fim nossa jornada. Iniciou-se com um sonho, um desafio que precisava de coragem, planejamento e muita fé! Foram 12.380 km em 27 dias.

O requinte da noite argentina

Não é uma viagem qualquer. É o Fin del Mundo!!! Só quem já vivenciou é que sabe expressar a respeito de tamanho desafio. A alegria, a felicidade... o respeito e o medo andam juntos. Se confundem em determinado tempo da viajem. É fantástico!

Conhecer lugares que jamais imaginávamos?... sim, pode tentar se preparar, mas será inevitável a surpresa. Abra seu coração e sua mente, e sinta o quanto o mundo de nosso Deus é maravilhoso!

Gente que jamais nos viram paravam para nos cumprimentar, tirar uma foto... Vejam só, éramos celebridades em alguns locais (rsrs)

Vimos outras motos, e os motociclistas se irmanam nas estradas (rutas ou carreteras) da vida. Não nos conhecemos, nos vimos ou sequer combinamos, mas nos cumprimentávamos... Somos irmãos!

Vimos nas carreteras muitas bicicletas, isso mesmo, ciclistas fazendo o que estávamos fazendo, viajando. E as pessoas que conhecemos nos chamando de loucos!

Aos passarmos por outros carros ou caminhões os motoristas iam nos cumprimentando, fazendo sinais, acendendo e apagando os faróis... Não sabemos quem eram, para onde iam, o que pensavam... Jamais saberemos, mas naquele momento passavam pelas nossas vidas. Nas paradas as perguntas se repetiam: "de onde são?". Era um orgulho falar: "Brasil". Então, éramos gentilmente atendidos.

A chegada: com os filhos Daniel e Anderson

Se pudéssemos agradeceríamos hoje a cada alma que passou pela nossa jornada, pois provavelmente jamais nos veremos. Quem eram? O que faziam naquele momento? O que pensavam de nós? Simplesmente sorriam e nos cumprimentavam desejando "suerte"!

Chegamos, enfim, em casa! 

Graças a Deus, esse Pai de amor e bondade, que nos concedeu a oportunidade de vivenciar tamanha experiência. 

Sentimos saudades do lar. Como amamos a todos aqueles que nos dão a honra do convívio nessa existência, onde granjeamos o futuro do Espírito com amor. Sentimos saudades.

Voltamos, Graças a Deus! 

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