sexta, 19 de julho de 2019
DIÁRIO DE BORDO III

Depois de Bariloche, motociclistas cruzam as geleiras rumo à Ushuaia

15 JAN 2019 - 12h14Por DORI E ADRIANA PERES

O casal de motociclistas Dori e Adriana, que deixou Campo Grande no dia 5 de janeiro para percorrer 12 mil km em 28 dias, cruzando as belezas naturais do Paraguai, Argentina e Chile, está amando a aventura sobre duas rodas. Seus relatos, divulgados no site Lugares, revelam o lado fantástico de uma viagem longa, porém apaixonante, e que pode ser realizada por qualquer vivente.

Dori (Dorianey Peres, 49), engenheiro civil, e Adriana (48) estão na estrada há cinco anos, aventurando-se inicialmente por destinos de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Se apaixonaram pelo espírito aventureiro pilotando uma moto e estão vivenciando uma experiência ímpar nessa viagem, que tem por objetivo chegar a Ushuaia, no extremo sul da Argentina.

Nesta terça-feira, eles deixaram Bariloche, Argentina, descendo a região que se confronta com a fronteira com o Chile, as geleiras da Patagônia e o Pacífico, em direção às cidades turísticas de El Calafate (a Foz do Iguaçu das geleiras azuladas), Punta Arenas, Porvenir e, finalmente, Ushuaia. Siga o Diário de Bordo dos aventureiros:

Santiago: turismo

O dia de descanso em Santiago do Chile foi dia de turismo. Pegamos um Bus Tour, fomos fazer os principais pontos turísticos da cidade. 

Hotel em Santiago do Chile

Confirmando nossa primeira impressão, a cidade, em particular a região de Providência, tem um ar de modernidade e sofisticação. Prédios belos em arquiteta moderna. Vários em pele de vidro, e muitos ainda em construção. 

Tudo isso se contrasta com o centro velho, se assim podemos chamar. Apenas algumas fotos para “degustar”...

Amanhã (13/1) deixaremos Santiago com a certeza de termos conhecido um belo lugar, com excelente qualidade de vida, ruas com planejamentos arbóreo, moderna e contemporânea em perfeita harmonia.
Vamos agora à Bariloche, Argentina, com uma parada em Los Angeles, ainda Chile (Sul), para pernoitar.

Boa estrada, internet...

No domingo, partimos logo cedo de Santiago para completar o oitavo dia de viagem. Lugar que nos deixou boas impressões... Mas a viajem prossegue, e muito ainda virá...

Uma manhã fria, e por isso nossos equipamentos ficaram mais pesados com os forros da vestimenta. Nosso destino agora será Bariloche, Argentina. Para isso, teremos ainda que pernoitar em Los Angeles e passar pela aduana, que sempre é uma incógnita com relação ao tempo de tramitação documental. 

Deixando Santiago, de volta a Argentina

Saímos pela Ruta 5 Sur, a bela Paramericana. A estrada em direção Sul está simplesmente excelente. Duplicada, segura, pouco movimento (creio por ser fim de semana), bem sinalizada, com excelente apoio de postos de serviço. Em especial destaco a Rede Copel, que dispõe de lanchonetes, banheiros, estacionamento e abastecimento (é claro), que é fantástico.

Além de tudo isso, como é comum na Argentina, todos dispõem de Internet gratuitamente aos usuários. Logado uma vez em um posto, todos os demais já se conectam automaticamente. 

Andamos apenas 560 km até Los Angeles para descansar. Um hotel à beira da estrada, mas diferente e aconchegante, num estilo bem moderno. 
Descansar bem pois amanhã (14/1) serão mais 660 km, e uma fronteira para ultrapassar. 
Abraços, e até logo!

A magia dos Andes

O dia prometia... íamos novamente voltar à Argentina. Partimos cedo pela Ruta 5 em direção à Bariloche, e passagem pela fronteira através do Paso Cardenal Antônio Samoré. 

Região do Paso Cadernal, nos Andes

O Paso Cardenal Antonio Samoré (1320m altitude) é uma das principais passagens de montanha, através dos Andes do Sul, ao longo da fronteira entre a Argentina e o Chile. Juntamente com Paso Libertadores (3200m de altitude), por onde entramos no Chile, é um dos mais fáceis dos passos Argentina-Chile.

Porém, com uma peculiaridade: normalmente nos passos as duas aduanas ficam juntas ou próximas, o que ajuda no trâmite de saída de um país, e entrada no outro. Nesse caso, primeiramente passamos pela imigração chilena, muito eficiente e organizada, tanto quanto exigente. E somente depois de mais uns bons quilômetros de estrada estava a imigração Argentina... Então, nova fila de espera, e agora no sol, e ainda bem que é frio!

Vencida essa etapa o resto seria muito lindo! Passar na Cordilheira dos Andes parece ser mágico, mesmo em baixa altitude. 

Mais adiante, encontramos paisagens fantásticas dos Lagos com suas calmas e reluzentes águas.
Passando por Villa de La Angostura vimos uma cidade 'bombando' de turista, que se acotovelavam para conseguir espaços na estrada e estacionar seus carros para chegar à beira das belas águas do Lago.
Muitas pousadas, hostels, hotéis e outros abrigos. 

Na Argentina, região dos Lagos

Enfim, chegamos à Bariloche. Ficaremos mais um dia para conhecer a cidade.

O fervo em Bariloche 

A cidade tem um charme especial, diferente.

Esperávamos uma cidade pouco frequentada nesses dias, porém o movimento de pessoas é enorme. Achávamos que somente no inverno, alta temporada devido a estação de neve, haveria o 'fervo'. Ledo engano! A cidade ferve com as trilhas, o lago Nahuel Huapi (que é lindíssimo), a gastronomia da Patagônia, chocolates (hummm!!), as paisagens... Enfim, tudo de bom!

Outra coisa que chama a atenção é a quantidade de barzinhos e restaurantes... são muitos, e bastante frequentados. Tem um pouco de tudo, e para todos os gostos. 

A rua para pedestre é sortida de lojas para aqueles que gostam de comprar lembranças. 
Várias lojas de equipamentos para montanhismo, que nesse período estão lotadas.

Outra característica interessante é que em quase todo lugar tem rosas. Plantadas nas praças, ruas, calçadas, casas e cercas. Fica bem bonita essa textura e mistura de cores.

Hoje nos despedimos, e amanhã (15/1) seguimos nossa viagem.
Vamos com Deus!

Bariloche: bares e lojas abarrotados de turistas

A fiel estradeira! 

Dedicarei um breve espaço para falar dela... a fiel estradeira.Carinhosamente chamada por "Neguinha", é uma gigante na estrada. Nossa BMW R1200 GS Adventure está correspondendo muito ao bem à sua fama.

Até agora, nessa atual expedição (não levando em conta as expedições anteriores), percorreu 4.620 km, passando pelas mais adversas situações: chuva intensa (essa eu ainda não tinha enfrentado com tamanha intensidade), asfalto deformado, buracos, calor intenso e, lembrando sempre, com muita carga.

Estamos utilizando um pneu que ainda não havia testado, Metzeler Tourance, que desde o início me surpreendeu positivamente. 

Roda muito suave, o que me faz esquecer de vez em quando que é um pneu misto.

Mapa da viagem: 12 mil km em 28 dias

Seu comportamento foi excelente na chuva em asfalto (essa informação é crucial para os pneus mistos). Seguro nas curvas, e, é claro, que falo tudo isso levando em consideração que o piloto tem que conhecer os limites que o produto oferece, bem como o desempenho que sua máquina pode oferecer. Nunca ultrapasse qualquer limite.

O consumo de combustível está dentro do esperado, em torno de 17 a 18 km/litro, isso em função do peso e da velocidade empreendida nos trechos, isto é, depende muito da mão do piloto.

O aquecedor de manopla foi muito acionado, e atendeu perfeitamente para minimizar o desconforto das mãos pela ação do vento frio.

Estão faltando ainda aproximadamente 7.400 km para concluir essa viagem, e temos muitas experiências para vivenciar entre homem e máquina.

'Vamos adelante'!!!

Acompanhe: instagram.com/dorianeyperes

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