sábado, 07 de dezembro de 2019

Como pescar mudou a minha vida

09 AGO 2019 - 14h55Por FABIANE SATO

Esse texto tem um tom mais confessional. Não tem dados, nem números, só tenho história para contar. Sempre li que ter uma atividade de lazer, que foge do trabalho, do dia-a-dia dos negócios, é importante para estimular nossa criatividade. Mas até meu hobby acabava virando obrigação e logo eu me desinteressava dele.

Sempre tive paixão pelo trabalho, porque trabalho e sucesso - Sim, me considero bem sucedida - estão para mim, intrinsicamente ligados. Meu marido, que trabalha comigo, reconheceu que o meu negócio me mantinha viva, mas sempre ocupada e pré-ocupada (rs), sem tempo para nada.

Sempre gostei de atividades ao ar livre, mas nunca fui de acampar e ficar no mato [e olha que morei no Amazonas]! Essa vida selvagem sempre foi treinamento motivacional e motivação eu sempre tive. Entretanto, pescar me ensinou que na vida há um percurso, um caminho e um entendimento.

Observar o que ocorre ao seu redor é imprescindível para entender o que o peixe está comendo naquele dia. Que o clima influencia no resultado da pescaria. Que pega mais quem arremessa melhor e escolhe a melhor isca*. Tudo isso me tornou uma pessoa mais focada, mais paciente e mais humilde. Passei a entender que não é o mais rápido que ganha o jogo e sim o mais assertivo e o mais observador. Que não preciso "gastar tanta energia" para obter o que eu quero, preciso apenas escolher a isca certa e ser mais precisa no arremesso**.

*Pratico uma modalidade que chama baitfishing. Essa pratica usa iscas artificiais que imitam peixes e seus movimentos.Se eu penso no trabalho quando estou no barco ou no caiaque pescando? Nem tanto. O importante é que estou mais focada e mais tranquila e quando entro numa reunião com um cliente consigo observar o ambiente, escolher a melhor isca e dar o meu melhor arremesso.

** Nessa modalidade o arremesso conta no resultado final, "colocar a isca" em lugares mais dificeis garante maior eficiência.

Fabiane Sato é jornalista

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