quarta, 16 de outubro de 2019
SERRA DA BODOQUENA

Trade turístico contesta Ong sobre ameaças ao Rio Salobra

ICMBio e Imasul farão vistoria no local onde teria ocorrido suposto secamento de nascente do afluente

28 JUN 2019 - 15h16Por SILVIO DE ANDRADE

As informações divulgadas pela Ong Instituto Homem Pantaneiro (IHP), dando conta que a nascente do Rio Salobra teria supostamente secado, com ameaças aos recursos hídricos e ao turismo da região da Serra da Bodoquena, provocaram reação imediata do trade turístico e de outros segmentos ligados ao meio ambiente. O estudo do IHP é “um equívoco” e não há ameaças à atividade turística, segundo o Instituto de Desenvolvimento de Bonito (IDB).

Em nota de repúdio, o instituto declara que as informações são inverídicas e não representam a atual situação da Serra da Bodoquena e nem dos seus atrativos turísticos. “Para o bem da verdade, esclarecemos que a área em erosão não é da nascente do Rio Salobra ou de afluente permanente deste rio. Trata-se de um canal de drenagem temporário ou intermitente e que deverá ser objeto de investigação e vistoria pelos órgãos competentes”, diz o IDB.

Informação falsa

Conforme a nota, assinada pelo presidente do instituto, Guilherme Poli, a reportagem não condiz com a realidade e “a falsa informação começa pela imagem que acompanha a matéria, a qual não se trata de foto realizada no local mencionado e sim a erosão de uma propriedade bastante distante da nascente do Rio Salobra”. A área da foto divulgada está do outro lado da morraria, mais próxima do Assentamento Guaicurus e da escarpa da terra indígena Kadiwéu.

Fluxo das águas cristalina do Rio Salobra no atrativo Boca da Onça, em Bodoquena

“Reiteramos que, diferente do que afirma a falsa e irresponsável informação, a situação não ameaça Bonito e nem seus atrativos, muito menos interfere na integridade das águas da Boca da Onça”, sustenta a nota do IDB. “O técnico do Instituto Homem Pantaneiro que fez o estudo está desinformado quanto a Boca da Onça. Nossas nascentes ficam dentro da fazenda”, informou Ângela Quartim Barbosa, proprietária do atrativo, que fica em Bodoquena.

Segundo a empresária, as cachoeiras em sua propriedade, entre elas a conhecida Boca da Onça, estão com volume de água normal. “O Salobra nessa época de pouca chuva está transparente em sua trajetória pela divisa de nossa fazenda. Os fatos precisam ser esclarecidos e que seja divulgada somente a verdade. Acho a notícia exagerada e alarmista e isso não contribui para o nosso destino e para o turismo de Mato Grosso do Sul”, cobrou Ângela Barbosa.

Vistória técnica

Proprietário de fazenda e de atrativos que incluem passeios no Rio Salobra, em Miranda, o empresário Gérson da Prata também se manifestou contra a notícia veiculada na mídia. Com programa de day use que entra em operação na primeira semana de julho na região, ele relata que seu atrativo fica próximo à foz do Salobra com o Rio o Miranda e o contraste desse encontro é impactante pela água cristalina do afluente, fenômeno que encanta o turista.

Nascentes do Salobra ocorrem dentro da fazenda da Boca da Onça: ambiente protegido

Os esclarecimentos do IDB se baseiam em informações de técnicos do Imasul (Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e do chefe do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, Sandro Roberto da Silva Pereira. Este, comunicou ao Condema (Conselho do Meio Ambiente do município de Bodoquena) que “diferentemente do que foi exposto na reportagem, acreditamos que não se trata de uma nascente do Rio Salobra”.

Segundo o comunicado do chefe do parque ao Condema, a suposta nascente ou afluente permanente seria, na realidade, “um canal de drenagem temporário ou intermitente”. Roberto anunciou que o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que gerencia a unidade de conservação, juntamente com o Imasul, realizará uma vistoria na área mencionada para diagnosticar com mais detalhes o problema da erosão e supressão da vegetação nativa.

Posicionamento

O IHP também emitiu nota, na qual ressalta que, segundo moradores locais, "o problema está instalado na região há décadas". A organização não governamental garante que as observações "visam proteger os recursos e processos naturais e que sua postura e posicionamento são sempre amparados por pareceres técnicos e análises detalhadas".

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