segunda, 20 de janeiro de 2020
DIÁRIO DE BORDO IV

Pela Ruta 40, superando limites e um a menos na equipe

07 DEZ 2019 - 14h26Por SÍLVIO DE ANDRADE

Nossos motociclistas aventureiros ficaram alguns dias sem notícias por conta das dificuldades da viagem pela Ruta 40, que os levaram ao extremo físico. Mas os familiares informavam que estava tudo bem, estavam no trecho, enfrentando o grande desafio com determinação.

Na manhã deste sábado, o engenheiro civil Dorianey Peres, o Dori, 50, retomou os contatos via Whatsapp: “estávamos extremamente cansados, ao ponto de não conseguir pensar...”

Dori, que mora em Campo Grande, iniciou sua viagem no dia 25 de novembro, seguindo, juntamente com o amigo Diter Rigolon, 64, também residente na capital sul-mato-grossense, para Assunção, no Paraguai, adentrando em seguida na Argentina. Lá se encontraram com Dalmarco Filho, 55, de Blumenau (SC), e Luiz Gil Veiga Pereira, 58, de Curitiba (PR).

Objetivo da viagem do quarteto: cruzar a imprevisível Ruta 40, de La Quiaca a Cabo Vírgenes – dois extremos argentinos -, percorrendo 5.224 km. Poucos concluíram esse desafio. Mas, essa turma está se superando e deve chegar a Cabo Vírgenes neste domingo. Diter Rigolon, infelizmente, teve que abandonar o Desafio: problemas mecânicos em sua moto.

Depoimento de Diter Rigolon no dia 5/12: “já estou voltando para casa por via aérea e a moto está em Chos Malal aguardando guincho da seguradora para transporta-la até Campo Grande. Assim finalizo esta viagem de moto fazendo 50% da Ruta 40 (cerca de 2.600 km na Ruta) completando 4.435 kms de moto nessa viagem. Lembrando que esses 50% que faltaram, foram feitos em outra viagem que fiz para Ushuaia, mas poderei voltar e dar uma esticada ate a carretera austral. Meu agradecimentos ao Andre (corretor de seguros da Porto Seguro), ao Jorge Mas ( proprietário do Hotel Altos Chos Malal), ao Nicolas ( que transportou a moto por 160 kms em sua picape montana), ao Amim, de Catamarca ( que nos ajudou quando um pneu da moto do Peres deu pau), e aos colegas de viagem, Peres, Gil e Raul. Até a proxima!!”

Dori: pausa para mais uma imagem

Vamos ao relato do Dori para LUGARES:

Perdoem-me o tempo em off, sem envio de relatos e imagens, mas realmente estava chegando aos pontos de dias extremamentes cansados, ao ponto de não conseguir pensar - e simplesmente apagava de estresse físico.

Como seguiram os dias..? Bem, a partir da passagem do trecho de rípio, que requereu de todos nós esforço físico e emocional, iniciarmos o segundo trecho de asfalto e percebemos que tínhamos companhia, que já nos seguia, porém, devido a grande tensão nos imposta pelas circunstâncias, ainda não havíamos percebidos: a majestosa e imponente Cordilheira dos Andes.

Sim, a gigante obra da natureza estava nos acompanhando. Sempre ao nosso lado. Linda em sua imensa grandiosidade, em seu cume nevado.

Seguimos dia após dia controlando nosso estresse emocional, o cansaço já se fazia presente. Longos dias em cima da nossa fiel e valente moto. Porém, as imagens que presenciávamos, por graça da Natureza, parecia nos energizar a alma e revigorar o ânimo e dizer: vamos juntos, vamos conseguir!

Então, chegamos à região da Patagônia Argentina. Muda a paisagem. As cores verdes dão lugar às cores desérticas, aos animais que agora atravessavam a nossa frente, belos e donos do lugar – afinal, éramos nós os invasores. Mas, como não ser... é mágico!

Na Patagônia o frio é sempre presente, porém nosso Desafio agora se apresentava maior... O vento implacável dava seu cartão de visita. Parecia nos querer tirar da pista, como num cabo de guerra, em disputa de força... Novamente a natureza se fazia patente.

A força do vento é tal que temos de fazer esforço contrário inclinando a moto, numa disputa de força, que tínhamos a sensação de andarmos a 45 graus de inclinação em relação a pista. Ao final do dia, dores musculares nos braços e pescoço. Fantástico!!!

Infelizmente tivemos uma baixa em nosso grupo. Nosso companheiro Dilter Rigolon teve que nos abandonar na cidade de Chos Malal. Esse ponto marca o meio da Ruta 40, isto é, metade do Desafio.

Nesse ponto há um monumento que marca a metade da mítica Ruta 40.

Antes de chegarmos a essa cidade, em caminho, após a cidade de Malagüe, percebemos que o asfalto acabara, e nos bate a imensa surpresa...Rípio novamente! Não estava em nosso planejamento passar novamente por esse temido e desgastante esforço.

Paramos uma caminhante e perguntamos sobre o trecho que nos surpreendera naquele momento. Fomos informados que havia a frente 100 km de rípio difícil. Fomos alertados dos riscos. Nos dizia: sigam "despacio"! Naquele momento olhamos um para outro, ainda surpresos, vamos??? Era o Desafio... Respiramos e seguimos, lembrando do alerta: "Despacio"!

Foi um trecho muito difícil. Rípio, areia, cascalhos enormes, exigindo muito... Muito mesmo, de todos nós, pilotos e máquina. Parecia não ter fim. Então... a triste surpresa, o cardan da moto do Dilter não aguenta o esforço e rompe. Quebra e é o fim. E o pior descobrimos em seguida: faltavam apenas 2 km do final do rípio e início do asfalto.
Enquanto nos sentíamos gratificados pela conquista, estávamos tristes pelo companheiro que teria de voltar.

Bem, após acionar o seguro, tínhamos que continuar. O “Desafio Ruta 40” devia continuar.
Seguimos para nossa última parada antes do final, El Calafate.

Teríamos que passar agora por mais 73 km de rípio...  Mas esse estava no planejamento. Então, estávamos preparados psicologicamente. Então, partimos.

Neste domingo (8/12), chegaremos ao final do nosso Desafio. Chegaremos em Cabo Vírgenes.
Que Deus continue nos protegendo.
Até lá!

Acompanhe tambémhttp://dilterana.blog

Leia Também

Relatos de viagem

Enfim, no marco zero da Ruta 40. Missão cumprida, uma façanha!

Mais Relatos de Viagem

Megafone

Se você acha a aventura perigosa, tente a rotina, é mortal

Paulo Coelho, jornalista, escritor

Vídeos

Jornada das Tartarugas

Mais Vídeos

Eco Debate

MANOEL MARTINS DE ALMEIDA

Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs

HEITOR FREIRE

O Poder do Silêncio

MARCIA HORITA

Atentos e mobilizados na defesa da Mata Atlântica