quinta, 20 de fevereiro de 2020
PRESERVAÇÃO

Londres, Paris e Pantanal, lugares para as abelhas

05 OUT 2017 - 08h28Por Por Iasmim Amiden (Ecoa) e Redação

O que pode ter em comum estas três localidades? Além de suas belezas particulares, é claro. Bem, lugares para a conservação de abelhas é uma boa resposta. Em meio ao desaparecimento em massa das polinizadoras por todo o mundo e cenários de catástrofes globais com impactos diretos na alimentação e, portanto, na economia dos países, pesquisadores buscam formas para preservação das abelhas.

Em Londres, especificamente no terraço do Instituto de Estudos Jurídicos Avançados (IALS para a sigla em inglês), foram construídos apiários para conservação de abelhas e também para produção de mel. O oásis urbano já é praticado há um tempo pelos europeus, que instalam apiários em terraços de grandes construções nas cidades devido à proximidade com grandes parques de conservação, portanto, com a variedade de plantas e flores para polinização.

Nas margens do rio Sena, em Paris, podemos encontrar um tipo de hotel para as abelhas, onde são cuidadas e estimuladas a polinizar a flora presente na região. E, no Pantanal, em suas regiões mais selvagens, está um potencial oásis para a proteção de polinizadores sob risco de extinção.

Um oásis urbano nos terraços londrinos

Oásis, um projeto feito pela organização não governamental Ecoa para proteção às espécies polinizadoras, traz a proposta de oferecer condições para sua sobrevivência e conservação, em regiões onde não se utilizam agrotóxicos – ou com baixo uso – e que os efeitos do desmatamento não se fizeram sentir completamente, como no Pantanal. Além disso, a conservação, feita com auxílio de famílias ribeirinhas, contribui para geração de renda a partir da produção e venda de mel. São dezenas de famílias que podem ser ajudadas nesta perspectiva.

Em 2016, foi realizada uma capacitação com a comunidade do São Francisco, promovida pela Ecoa com apoio da Embrapa Pantanal, onde os moradores da região aprenderam o manejo correto para produção de mel e também formas para o combate ao fogo, sendo que as queimadas são uma grande ameaça as polinizadoras.

A Ecoa busca suporte para que ‘Oásis’ seja definitivamente instalado e tenha sua permanência no tempo garantida. Para isso, são necessários recursos e o seu apoio através de doações diretase por meio da compra de canecas da campanha, as quais têm a mandaçaia pantaneira, o beija-flor-dourado e o morcego-beija-flor como símbolo.

Pantanal, um oásis para as polinizadoras

Doce sobrevida

A jovem jornalista Júlia Beatriz de Freitas escreveu um livro-reportagem sobre a introdução da atividade apícola no assentamento Taquaral, localizado no município de Corumbá, coração do Pantanal, como alternativa de renda, ecológica, para as famílias.

Diante ao declínio das abelhas em todo o mundo e o impacto negativo que isto causa a economia, regiões do Pantanal se mostram favoráveis à proteção dos polinizadores, principalmente devido ao baixo uso de agrotóxico.

Segundo a jornalista, “apesar do número ainda escasso de apicultores, a prática se mostra com grande potencial, excedendo em benefícios a venda do leite, já que o espaço agora conta com um entreposto e uma associação, a Associação dos Apicultores da Agricultura Familiar de Corumbá”.

O livro traz narrativas sobre histórias de alguns dos assentados e sua relação com a apicultura, como forma de resistência e sobrevivência dentro do assentamento. Para Júlia, “a atividade apícola também se mostra como essencial no combate ao uso intensivo de agrotóxicos, promovidos pelo agronegócio no Estado”.

Simpósio em Teresina discutirá a perda de abelhas

Congresso debate

Com a perda de colônias, têm ocorrido muitos prejuízos na agricultura, inclusive com uma redução significativa na produção de alimento. Por essa razão, começa-se a pensar na utilização de outras espécies de abelhas, entre elas abelhas solitárias e abelhas nativas sem ferrão, de maneira mais efetiva.

Para que isso ocorra, são necessários conhecimentos detalhados sobre o manejo e uso específico em determinados agroecossistemas, antes que se possam usar amplamente os serviços de polinização de abelhas que não sejam Apis.

Ainda hoje a causa da CCD não foi definida. Acredita-se que uma interação de fatores pode estar interferindo no sistema imunológico das abelhas e causando o problema; o fatores mais pesquisados são: o ácaro Varroa destructor, o fungo Nosema ceranae, alguns vírus, pesticidas, em especial do grupo de neonicotinoides, e manejo intensivo e estressante.

No Brasil, embora alguns casos tenham levado a suspeita de ocorrência dessa síndrome, ainda não houve uma comunicação oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento da existência da CCD.

Esse é o principal tema do “Simpósio de Perda de Abelhas no Brasil”, que acontecerá em Teresina, PI, de 16 a 18 de outubro de 2017. Várias palestras e um painel terão alvo as discussões sobre a perda de abelhas.

Efeitos do declínio

O problema do desaparecimento das abelhas vem preocupando especialistas, organizações governamentais e não governamentais em todo o mundo, entretanto, a Desordem do Colapso das Colônias não é a única responsável por essas perdas. Pragas e doenças, uso indiscriminado de agrotóxicos, mudanças climáticas, desmatamento e fragmentação de matas e florestas também contribuem para agravar o problema. Esses fatores vêm sendo discutidos internacionalmente e no Brasil.

A redução na fauna desses polinizadores apresenta efeito direto sobre a produção e o custo de culturas ricas em vitaminas, como frutas e vegetais, levando ao estabelecimento de dietas desbalanceadas e a problemas de saúde.

No passado, o serviço de polinização era prestado naturalmente, sem apresentar um custo adicional. No entanto, a expansão das áreas agrícolas e o aumento do uso de defensivos, evidenciaram o potencial efeito do declínio desses polinizadores sobre a produção de alimentos.

Além desses fatores, as mudanças climáticas têm obtido um papel de destaque sobre o declínio dessa fauna de polinizadores, por meio da alteração no ciclo de crescimento, florescimento e maturação das culturas, afetando diretamente a biodiversidade associada a essas culturas. 

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