segunda, 16 de setembro de 2019
CENÁRIO

Ecoturismo e turismo de aventura, solução para o Brasil

03 SET 2019 - 07h50Por REDAÇÃO

O turismo de natureza e de aventura representa 8,1% do PIB do Brasil, garantindo ocupação para 6,9 milhões de pessoas. No mundo, esse índice é de 10,4% na média de 185 países pesquisados pelo World Travel & Tourism Council (WTTC).

E mais. O segmento teve crescimento de 3,1% no ano passado, enquanto o PIB brasileiro cresceu 1,1% no mesmo período, segundo o Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados do governo federal confirmam que o número de turistas estrangeiros cresceu quase 30% nos últimos anos. Baseado nestes números e em análises de outros fatores, Flávio Ferrari, Head do CIFS BR – Copenhagen Institute for Future Studies aponta o ecoturismo e turismo de aventura como a solução para diversos problemas do País.

A ideia defendida por Ferrari foi a base da palestra ‘Ecos do futuro. O poder transformador do turismo de natureza’, ministrada no Esporte Clube Ilhabela, durante o Abeta Summit, Congresso Brasileiro de Ecoturismo e Turismo de Aventura, no arquipélago do litoral norte paulista.

“O setor pode ajudar em várias frentes, como meio ambiente, educação, economia, trabalho, saúde, entre outros. Desses pontos, talvez educação seja o mais importante, pois serve de base para todos os outros. E o ecoturismo e de aventura pode trazer conhecimento, ensinando respeito, noções de sustentabilidade e qualificação para o trabalho. Além disso, ao amplificar nossas belezas naturais estaremos melhorando a imagem do País”, afirmou.

Desafios

Head do CIFS BR lembrou que na pesquisa ‘Planos dos brasileiros para 2019’, 63% dos entrevistados priorizaram `cuidar da saúde`. `Estudar e aprender coisas novas` foi a resposta de 56% das pessoas, seguida de `praticar atividade física (54%), ‘viver novas experiências’ (47%), ‘dedicar mais tempo para mim’ (45%), ‘fazer viagens interessantes` (44%), entre outras opções.

“Isso quer dizer que essas pessoas querem fazer ecoturismo e turismo de aventura. Eles só não sabem disso. E cabe a nós mostrar isso para quem valoriza a experiência em detrimento ao consumo de bens, uma tendência em crescimento acelerado no mundo”, explicou Ferrari.

Quando fala em soluções para o Brasil, Ferrari enfatiza o papel de agente transformador do turismo de natureza e de aventura.

“Vivemos em um mundo acelerado e em mudança constante, no qual, quando você aprende uma coisa, ela já está diferente. E isso pode deixar as pessoas perplexas. O nosso papel é ajudar a trazer o indivíduo para o aqui e o agora, desacelerando esse ritmo frenético imposto pela tecnologia por meio de atividades prazerosas, seguras e desafiadoras em lugares de belezas naturais sem igual como o Brasil. Esse é o nosso desafio para o futuro”, complementa.

Crescimento

O panorama do setor é positivo e dados do governo brasileiro corroboram com o otimismo de Flávio Ferrari. No painel “A importância do turismo de natureza na economia”, o secretário nacional de Integração Interinstitucional do Ministério do Turismo, Bob Santos, destacou que nos últimos anos a procura de turistas estrangeiros pelo turismo de natureza cresceu 27,3%.

“Isso mostra que o turismo de natureza tem se tornado uma das principais portas de entrada das viagens no Brasil, país considerado o número 1 em atrativos naturais no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial. Precisamos potencializar esse espaço que o Brasil já possui. O ecoturismo é mais do que um tipo de turismo. Ele é renda, é oportunidade de emprego para o cidadão, é preservação, é educação”, afirmou Santos.

O secretário complementou ainda que o Ministério firmou um acordo de cooperação com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Ministério do Meio Ambiente e a Embratur com o intuito de incentivar o ecoturismo associado à preservação da biodiversidade. O objetivo é aproveitar o potencial das unidades de conservação para atrair visitantes a estes espaços e ao seu entorno. Dados do ICMBio estimam que os visitantes gastaram cerca de R$ 2 bilhões nos munícipios do entorno das unidades de conservação, gerando cerca de 80 mil empregos diretos.

“Precisamos desenvolver o turismo ecológico integrado à diversidade sociocultural e à conservação da biodiversidade, principalmente nas nossas unidades de conservação. Além disso, precisamos potencializar a promoção e comercialização em âmbito nacional e internacional. Cerca de 71% das visitas a unidades de conservação do Brasil foram realizadas em nossos parques nacionais”, reforçou o secretário.

O debate teve ainda a presença do secretário de Turismo do Estado de São Paulo, Vinicius Lummertz, Pedro de Castro da Cunha e Menezes, do Ministério das Relações Exteriores, além do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cadu Yang.

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