quinta, 17 de janeiro de 2019
DEVER DE CASA

Brasil fora das novas metas de redução de emissões

09 JAN 2019 - 12h03Por CATARINA ALENCASTRO/O GLOBO

Em sua primeira entrevista exclusiva após tomar posse como ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles diz ao GLOBO que o Brasil não irá se comprometer com novas metas de redução de emissões junto à ONU. Para ele, o Brasil é "credor" e já fez além do seu dever de casa nessa área. E agora é hora de cobrar a fatura dos países ricos para receber recursos pelo que já fez. 

O ministro pensa em rever a classificação de unidades de conservação para permitir alguns tipos de atividade econômica, como a passagem de linhas de trem e a instalação de linhas de transmissão onde hoje é proibido.

Ele critica a atual política do Ibama, cuja presidente se demitiu após rebater insinuações de irregularidades feitas por Salles em um contrato na locação de caminhonetes, e pede bom senso dos fiscais ambientais em relação a produtores rurais suspeitos de crimes ambientais, dizendo que eles não são "nem anjos, nem bandidos".

Quanto a gestão da agenda climática e o monitoramento das metas que o Brasil assumiu internacionalmente de corte de emissões, com a extinção da Secretaria de Mudanças Climáticas, o ministro disse que esse papel será da Secretaria Especial de Clima, ligada diretamente ao seu gabinete.

“É importante a gente dizer isso, senão fica parecendo que esvaziamos o papel, o papel não mudou. O grande advogado de mudanças de clima será o assessor especial de mudanças climáticas, juntamente com o secretário de relações internacionais, o Roberto Castelo Branco. Porque não adianta a gente ter uma agenda internacional sem aplicação interna, nem aplicação interna sem saber aproveitar internacionalmente o que se faz aqui no Brasil”, frisou.

Sobre a situação brasileira nessa área, foi enfático:Eu arrisco dizer que nós temos muito mais coisa feita aqui no Brasil do que efetivamente benefícios e reconhecimentos internacionais proporcionais ao que se fez no Brasil até hoje.”

E os créditos efetivos?

Especialistas manifestaram preocupação com o fim da secretaria de mudanças climáticas, cujas ações foram sempre centradas no Ministério do Meio Ambiente. No entanto, Ricardo Salles afirma na entrevista a O GLOBO que é preciso sair do campo das generalidades e entrar nas demandas específicas:

“Por exemplo as INDC (esforço nacional para reduzir emissões feito junto à ONU) – pondera -, nós já nos comprometemos com as nossas metas, nossas metas estão postas. A informação será aqui centralizada. (O que a gente tem que fazer) é pegar talvez esse volume de lição de casa feita, todo esse exemplo para o mundo e fazer um esforço de conversão de tudo isso em vantagens tangíveis para a população brasileira.”

E completa: Vamos sair um pouco do campo do reconhecimento internacional, aquela coisa quase que honorífica, que só serve para você ser ufanista, e perguntar: ok, qual é a consequência prática para a sociedade brasileira? Que créditos efetivos, e não promessa de créditos, nós trouxemos aqui para o Brasil? Que resultados concretos em termos de vantagens comerciais vis a vis outros países que não cumprem a agenda e não têm tanta lição de casa para mostrar e que a gente trouxe para o Brasil? Nós fizemos muito, nos comprometemos muito e colhemos pouco. Agora é a hora de colher, até para você ter condições de incentivar daqui por diante a manutenção e a regularidade dessas ações de preservação ambiental.”

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