terça, 28 de janeiro de 2020
VALMIR BATISTA CORREA

Um museu especial

02 OUT 2017 - 16h34Por VALMIR BATISTA CORREA

Durante recente palestra do prof. Gilson Rodolfo Martins no IHGMS, lembrei-me da inauguração do Museu de Arqueologia da UFMS, que representou um salto de qualidade às atividades culturais e educacionais de Campo Grande. A sua vitrine, como assim é chamada a parte visível da instituição, de fácil acesso ao público, é apenas uma parcela de um grande acervo de peças, documentos, fontes bibliográficas e laboratórios, acessíveis a estudantes e pesquisadores.

O MuArq desmistifica a impressão de que um museu é sempre um repositório de coisas velhas, empoeiradas e estáticas. A sua concepção (idealizada pelos museólogos da USP, Maria Cristina Bruno e Maurício Cândido da Silva, e capitaneado pelos doutores Gilson Martins e Emília Mariko Kashimoto), reuniu peças arqueológicas dos povos antepassados de nossa região, de incalculável valor, com um projeto moderno que permite ao visitante interagir com um passado mais remoto. É uma aula sobre as nossas raízes que jamais se esquece. Além disso, antes do espaço onde estão localizadas as peças, o visitante passa por um aconchegante auditório, onde é apresentado um vídeo de 30 minutos com explicações didáticas sobre a história arqueológica do estado de Mato Grosso do Sul. É um espetáculo fascinante.

Isto tudo, porém, só foi possível pelos esforços de um grupo de pesquisadores da UFMS, liderado e coordenado pelo professor Gilson, com a participação dos também especialistas nesse campo de saber, Emilia Kashimoto e José Luís Santos Peixoto. Assim, o farto material coletado nos mais diversos pontos da grande região mesopotâmica, limitada pelas bacias dos rios Paraná e do Paraguai, foi resultado de um exaustivo trabalho desses professores e pesquisadores na área da Arqueologia. Esta história iniciada em 1987, a partir do Laboratório de Pesquisas Arqueológicas do Campus de Aquidauana/UFMS, conseguiu reunir, segundo Gilson Martins, “um extenso e representativo acervo composto por mais de oitenta mil peças ou vestígios arqueológicos”, localizado nos campi de Campo Grande, Aquidauana e Corumbá.

Depois, parte desse acervo original, em constantes incorporações, ficou num exíguo e inadequado espaço embaixo do Estádio Pedro Pedrossian. Posteriormente, com a dimensão então adquirida pelo MuArq, seu significado e importância extrapolaram os limites da UFMS, e seu fortalecimento ocorreu com novas parcerias. Contando com o apoio da Petrobras Cultural, do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, o MuArq passou a ter uma nova cara em sua definitiva morada no Memorial da Cultura e Cidadania Apolônio de Carvalho, sede da própria Fundação de Cultura, do Arquivo Público do Estado e da Biblioteca Estadual. Este belo prédio, por suas funções culturais, sem dúvida está no roteiro turístico de Campo Grande.

É interessante notar que a nova instalação do MuArq coincidiu com o Ano Ibero-Americano de Museus, comemorado no seu Dia Internacional e que teve como tema “museus como agentes de mudança social e desenvolvimento”. Não tenho dúvida de que o “nosso” museu tem contribuído em muito com o desenvolvimento da capital e do estado. Assim, a concepção deste museu sul-mato-grossense atende à Política Nacional de Museus que, segundo direção dos Museus e Centros Culturais do Iphan, “tem em sua gênese um caráter democrático e participativo, rompendo com a lógica de barões e vassalos, ampliando os interlocutores, e continua recebendo diversas contribuições que chegam de toda a parte para aperfeiçoar esse processo colocado em marcha ao longo desses anos.

Leia Também

Relatos de viagem

Enfim, no marco zero da Ruta 40. Missão cumprida, uma façanha!

Mais Relatos de Viagem

Megafone

O grande inimigo do meio ambiente é a pobreza

Paulo Guedes, ministro da Economia

Vídeos

Jornada das Tartarugas

Mais Vídeos