segunda, 20 de janeiro de 2020

Sustentabilidade no mercado do plástico: estamos longe?

14 NOV 2019 - 10h00Por RENATO PAQUET

O Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. O país também é um dos que menos recicla esse tipo de resíduo: apenas 1,2% passa por esse processo, ou seja, cerca de 146 mil toneladas, segundo os dados do estudo “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização", feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Esse levantamento mostra exatamente o cenário que hoje o Brasil enfrenta: uma população que não está acostumada a fazer coleta seletiva em sua residência.

Sabe-se que o plástico é um material desenvolvido em laboratório para se tornar um produto durável, barato e com resistência, na maioria das vezes com uma utilização única que vai de canudos a seringas e embalagens. O material é considerado importante para a população, pois foi a partir da sua criação que se deu a evolução de diversos segmentos, como o de alimentos, já que a taxa de desperdício alimentar caiu consideravelmente desde sua aplicação.

Mesmo com esse benefício, o plástico e seu baixo custo, se transformou no vilão do meio-ambiente pelo descarte incorreto das pessoas. Por exemplo, quem nunca foi à praia e encontrou um canudinho ou um copo plástico jogado na água do mar? Diante de algumas situações, fica a pergunta - mas será que a culpa é só do material?

Levando em consideração o conceito de sustentabilidade, reciclar o plástico seria a solução ideal, além de óbvia e rápida, visto que o material inserido no mercado é grande, só que o retorno para as cooperativas de reciclagem demanda uma logística reversa trabalhosa, além da questão financeira.

Segundo o Plastivida, Instituto Socioambiental dos Plásticos, apenas 10% de todo material plástico produzido é reciclado no país. Isso mostra que, apesar de uma alternativa bem difundida, a prática é bem diferente da teoria. A questão da reciclagem foca no que fazer com o material no pós-consumo, mas para a cadeira produtiva do plástico o processo de sustentabilidade deve começar no início da produção.

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), o Brasil gera cerca de 10,5 milhões de toneladas de resíduos plásticos anualmente. Se todo esse material fosse reciclado, seria injetado R$5,7 bilhões na economia nacional. Com isso, o potencial econômico presente neste tipo de resíduo representa uma grande oportunidade de mercado para as empresas que os geram. Entretanto, nem todas aproveitam essa vantagem.

Claro que o plástico é apontado como principal produto desse processo, já que ele é responsável por tantas variáveis, aplicações e utilidades, mas a coleta de resíduos ainda é um gargalo para o avanço da reciclagem, segundo aponta uma pesquisa realizada pela FIA - Fundação Instituto de Administração para o PICPlast - Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico.

A reciclagem do plástico, além de ser necessária para nós enquanto sociedade, também pode ser uma boa oportunidade de negócio para a indústria se esse material for bem reaproveitado, gerando novos produtos nas indústrias com uma economia circular.

E aí você está fazendo a sua parte?

*Renato Paquet é formado em Ecologia com ênfase em ecologia industrial e gestão na UFRJ, Diretor Presidente de Cleantechs da Associação Brasileira de Startups, membro do conselho de competitividade do Sistema FIRJAN e fundador da Polen, uma startup de sustentabilidade que transforma resíduos em matéria-prima e realiza a logística reversa para mais de 700 empresas no Brasil e mais 5 países.

 

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