segunda, 18 de março de 2019

6 princípios de uma nova política ambiental

19 DEZ 2018 - 08h11Por XICO GRAZIANO

Jair Bolsonaro me ligou num sábado, 10 de novembro, pela manhã. Queria saber minha opinião sobre essa encrenca do meio ambiente com a agricultura. Falamos por algum tempo.

Conversamos, e concordamos, sobre a necessidade de mudar o foco da política ambiental. Foi só. Nosso contato terminou ali.

Na semana seguinte, matutando sobre o ocorrido, esbocei algumas ideias que poderiam alicerçar uma nova política ambiental no país. Nunca os remeti a ninguém.

Resolvi, agora, divulgá-las, agrupadas em seis princípios:

Correção da Agenda

Uma correta política ambiental precisa ser ampla e focar, com prioridade, os problemas ecológicos urbanos. Está equivocado o debate ambiental que se resume à animosidade com a agricultura. As cidades são protagonistas da civilização, e causam impactos crescentes no meio ambiente, destacando-se o saneamento básico, a gestão dos recursos hídricos e a questão dos resíduos sólidos. A adaptação às mudanças de clima, proteção do mar e das praias, educação ambiental e o turismo ecológico são temas importantíssimos a serem reforçados.

Descontaminação Ideológica

Políticas ambientais não têm ideologia, não são capitalistas nem socialistas, nem de esquerda ou de direita. Miram para frente, olham o futuro da civilização. O verdadeiro ambientalismo nada tem a ver com o “esquerdismo verde”. Organizações ambientais, como as empresas, são parceiras importantes do governo, qualquer governo, na construção do desenvolvimento sustentável.

Gestão ambiental

Discursos aguerridos, propagandistas do catastrofismo ecológico, fazem sucesso, mas pouco ajudam na busca de soluções. O foco deve residir na gestão ambiental e na promoção do avanço científico/tecnológico, buscando saídas para as questões civilizatórias. Somente acreditando na inteligência humana, olhando para a frente, e não para trás, se encontrará caminhos sustentáveis para a humanidade.

Combate à Corrupção

O sistema ambiental brasileiro precisa ser limpo de práticas de corrupção, particularmente a troca de vantagens na obtenção de licenças ambientais, incluindo a outorga de água. Vale tanto para o Ibama quanto para os órgãos estaduais. Processos devem ser simplificados, prazos estabelecidos, transparência absoluta no trâmite administrativo. Atacando a corrupção, junto acaba a insuportável indústria de multas ambientais.

Serviços Ambientais

Mecanismos de comando e controle têm, globalmente, sido substituídos com sucesso por incentivos às boas práticas ambientais. Menos repressão, mais comprometimento. Proteger a biodiversidade e os recursos hídricos gera benefícios à toda a sociedade, merecendo ser uma ação retribuída, até mesmo remunerada, aos agricultores. Precisamos dar valor à floresta em pé.

A variável populacional

É preciso ter clareza que o crescimento populacional continua elevando nossa pegada ecológica. Mais gente, mais alimento, mais energia, mais tudo. O modo de vida determina a relação com a natureza. Produzir mais, com qualidade e sustentabilidade, é o grande desafio da humanidade. Ao contrário do que muitos advogam, o planeta Terra não corre perigo. O mundo não vai acabar. Somos nós, os seres humanos, que sofremos ameaça na sobrevivência.

Espero, modestamente, que tais questões auxiliem no debate público sobre nossa política ambiental. O tema é complexo, não comporta primarismo. Nem maniqueísmo.

O movimento ambientalista pertence ao âmago contemporâneo da civilização. Desmerece-lo significa grave equívoco. Subjugá-lo à em ideologia, inadmissível.

A virtude, sempre, mora no caminho do meio.

Xico Graziano, 65, é engenheiro agrônomo e doutor em Administração. Foi deputado federal pelo PSDB e integrou o governo de São Paulo. 

 

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