sexta, 19 de julho de 2019

"Pedro pelo Mundo é um programa sobre pessoas, sobre gente"

22 JUN 2017 - 08h08Por Rosane Tremea/Zero Hora

O mundo de Pedro Andrade dobrou de tamanho. É que, nesta segunda temporada do programa Pedro pelo Mundo (no canal de TV a cabo GNT, desde de 6 de março), as 10 edições, antes de meia hora cada, agora terão uma hora de duração. E o mundo do repórter, apresentador e globetrotter não é pequeno: ele vai do México ao Vietnã, de Portugal a Botsuana (veja ao lado a lista completa com a ordem dos programas e os destinos), revelando lugares que passaram por algum tipo de mudança.

Radicado nos EUA, entre uma viagem e outra (ou seria o contrário?), ele apresenta um programa na ABC e compõe a bancada do Manhattan Connection. O jornalista é autor de O Melhor Guia de NY (Editora Rocco, 2013) e já rabisca um outro livro, desta vez de crônicas de suas viagens, com foco no seu principal interesse: as pessoas e suas histórias.

A sequência dos programas: México (Cidade do México), Vietnã (Hanói), Coreia do Sul (Seul), Portugal (Lisboa), Camboja (Siem Reap), Estados Unidos (Brooklyn), Japão (Tóquio), Japão (Okinawa), Alemanha (Berlim) e Botsuana.

Com o turismo massivo que há hoje, ainda existem novidades para mostrar e contar?
Sim, muitas. O mundo é enorme, a gente até esquece o quanto, diante da globalização. De certa forma, é triste ver a descaracterização. Em alguns dos lugares onde antes havia muita autenticidade, hoje se come nas mesmas cadeias de restaurantes, se bebe o mesmo café e se vestem as mesmas roupas. Mas não dá para ser egoísta e querer que tudo fique igual. A globalização é inevitável.

Um país que me abriu os olhos para isso foi o Camboja, onde antes muita gente morria de fome, era muito pobre e hoje há turismo, que é praticamente a única indústria por lá, como alternativa de sobrevivência. Dá para ver o renascimento do país através do turismo. Ele não estava fechado para o resto do mundo, mas era muito inacessível, tem costumes muito esquisitos, é um lugar onde se come tarântula! O Camboja me ensinou a ser menos egoísta.

É egoísta viajar pelo mundo e esperar ver as pessoas com roupas típicas — a população daquele lugar merece acesso a tudo. Em Cuba, por exemplo, há determinadas áreas hoje onde parece que se está andando por uma ala do Epcot Center. Mas, se for esse o preço para que a qualidade de vida das pessoas melhore, que seja. Difícil não é encontrar os destinos, mas fazer um filtro para a edição do nosso projeto. Não tentamos ir só a lugares exóticos. O que torna a temporada rica é o equilíbrio entre o exótico e os lugares que passaram por mudanças.


Como são escolhidos os destinos?

A equipe do programa (da produtora Producing Partners) e eu discutimos muito os destinos. Em geral, mando uma lista com 15 destinos que gostaria de conhecer e aí começa uma conversa. Eu queria muito ir às ilhas Palau, por exemplo, mas acharam a logística muito difícil. Também queria ir a mais lugares por temporada, só que não é fácil produzir as viagens. Mas eu não vou para nenhum lugar que não me desperte algum interesse, algum sentimento. Sou sempre muito honesto na apresentação e mostro surpresa, decepção, seja lá o que eu sentir.

Como são eleitas as atrações em cada destino?
Pedro pelo Mundo não é um programa de turismo, é um programa sobre pessoas, sobre gente. Tento encontrar gente interessante para mostrar. Antes de ir, falo com muitas pessoas e peço dicas de quem conhece pessoas naquele país. Sempre tem de ter uma história interessante por trás. Chegando no lugar, também surgem personagens de forma espontânea, conversando com a garçonete, com o taxista... Dessas conversas, também brota o episódio.

O que há de diferente nesta temporada em relação à primeira?
Por ter uma hora de duração, agora é possível se dar ao luxo de apresentar histórias mais longas. Esta temporada vai ser mais divertida, mais engraçada. Eu danço muito, como muito, bebo muito. Há muitos lugares que não estão no radar do telespectador brasileiro e muitas surpresas.

Qual a pessoa ou lugar que mais te impressionou?
Vou falar de dois. Entre os personagens, um refugiado sírio que trabalhou com o Médicos sem Fronteiras e hoje ensina computação para crianças em Berlim. Ele me deu a noção de quão egoístas as pessoas são, de o quanto as pessoas estão ou não dispostas a dar a vida pelas outras. A gente esquece que as pessoas não são números, são seres humanos.
Dos lugares, Botsuana, onde as pessoas abrem um sorriso como se fossem 20 abraços. Eu sempre fui fascinado pela África e, em Botsuana, fiquei num camping onde se acorda de noite com um elefante empurrando uma palmeira, onde te avisam num walk talk que não é para ir ao banheiro porque tem seis leões lá fora. A gente é acessório, não é protagonista nessas situações.
 

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