terça, 25 de fevereiro de 2020

“MS tem mais de cinco milhões de hectares degradados que podem ser convertidos em florestas”

13 DEZ 2019 - 12h55Por SÍLVIO DE ANDRADE

A prática de produção sustentável, principalmente de eucalipto - para alimentar fornos de fábricas, usinas e produzir ‘mercadorias’, foi registrada oficialmente em Mato Grosso do Sul a partir de 2003. Hoje, o Estado é um dos maiores produtores de “florestas artificiais”.

O potencial de crescimento da demanda por madeira entre empresas dos setores de papel e celulose, moveleiro e siderúrgico, entre outros, está levando fundos e empresas de investimento a apostarem na aquisição de terras e florestas no Estado.

Desde então, iniciou-se o desenvolvimento de florestas sustentáveis e renováveis para variados mercados, principalmente para a produção de celulose proveniente do eucalipto. Vários grupos passaram a desenvolver projetos de reflorestamento em terras degradadas, respeitando a preservação do meio ambiente e preocupando-se sempre com a sustentabilidade e com o futuro das florestas nativas brasileiras.

Acompanhe a entrevista do presidente da Reflore/MS (Associação Sul-mato-grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas), Moacir Reis. Ele fala sobre o crescimento e os desafios do setor florestal na região:

1. Três Lagoas está em uma região que concentra boa parte da área florestal plantada em Mato Grosso do Sul. Como isto se reflete no desenvolvimento econômico e social da cidade e dos municípios vizinhos?

Moacir Reis: A Costa Leste do Estado tem uma área que representa cerca de 80% de toda a área plantada de Mato Grosso do Sul. Isto desenvolveu não só o município de Três Lagoas, mas toda a região. Municípios como Água Clara, Selvíria, Brasilândia, que são municípios próximos. E outros como Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Bataguassu, Aparecida do Taboado, Inocência; todos os municípios estão sendo realmente beneficiados. A população de Três Lagoas, por exemplo, hoje é de mais de 120 mil habitantes. É um município que está crescendo muito. Está na eminência de novas ampliações e novas indústrias. Não só na cidade, mas também na região. A expectativa, além do desenvolvimento econômico e social, é para um ganho, em médio e longo prazo, de desenvolvimento de outras atividades de base florestal. 

2. Quais são os maiores desafios para se produzir florestas em região com histórico de temperaturas elevadas? 

O clima influencia mais na implantação da floresta. Nós temos uma temperatura média acima de 30 graus e que no verão chega a passar dos 40 graus. Mas temos uma quantidade de chuva bem interessante. A referência que temos é de 1.200 milímetros ao ano, na região da Costa Leste. A cada 40 milímetros há uma produtividade média de 30 metros cúbicos/hectare/ano. Então nós temos uma produtividade de 40 metros cúbicos/hectare/ano, tranquilamente. Estas informações, de temperatura e volume de chuvas, nos dão base para desenvolvermos novos materiais genéticos, novos clones, e assim melhorar a nossa produtividade.

3. Qual o real potencial de Mato Grosso do Sul para a produção de madeira de florestas plantadas? 

O Mato Grosso do Sul é hoje o segundo Estado com a maior área plantada, atrás apenas de Minas Gerais. Temos mais de cinco milhões de hectares de área degradada, que pode ser convertidos em áreas plantadas. Acredito que teremos em breve novas indústrias, não só de celulose, mas de MDF e serrarias. Hoje temos cerca de cinco milhões de metros cúbicos de madeira manejada, disponível para serraria e para o mercado. Então acredito que nosso potencial é para ser, não só o maior produtor de celulose do Brasil, mas também o maior produtor de madeira serrada. Precisamos melhorar a questão da logística, que atualmente deixa a desejar.

4. Atualmente há madeira suficiente para atender a indústria de papel e celulose? Qual a projeção para um futuro próximo? 

O setor de papel e celulose é autossuficiente. As empresas, através do fomento e arrendamento de terra, têm uma tendência para ser autossustentável. Com a expansão de novas plantas de celulose, eu acredito que o setor irá se organizar e os produtores irão continuar fornecendo madeira para que o segmento continue sendo autossuficiente e não tenha problemas de produção por falta de matéria-prima. Existe bastante área disponível ainda no estado para produzir madeira.  

5. Na sua visão, qual a relevância de feiras e eventos técnicos, específicos para o segmento de florestas plantadas? 

Acredito que eventos com estas características deveriam acontecer com maior frequência. A tendência é que grandes eventos acontecem a cada três ou quatro anos. Mas eventos menores podem ser realizados dentro de microrregiões, para que a sociedade entenda a importância que tem a cadeia produtiva de florestas plantadas.

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